Projeto Semeando o Bem Viver transforma a agricultura familiar e fortalece comunidades quilombolas no Litoral Norte da Bahia

20/02/2026
Projeto Semeando o Bem Viver transforma a agricultura familiar e fortalece comunidades quilombolas no Litoral Norte da Bahia

O Projeto Semeando o Bem Viver, desenvolvido pelo Movimento de Organização Comunitária (MOC) em parceria com a Petrobras, vem promovendo uma profunda transformação social, econômica e ambiental em comunidades rurais dos municípios de Araçás e Catu, no Litoral Norte e Agreste Baiano.

A iniciativa atende diretamente cerca de 400 famílias rurais distribuídas em oito comunidades, sendo cinco delas quilombolas, com foco na inclusão socioprodutiva, na segurança alimentar e nutricional e no fortalecimento da autonomia das agricultoras e dos agricultores familiares. O projeto é estruturado a partir dos princípios da agroecologia, da economia solidária e do bem viver, promovendo um modelo de desenvolvimento que respeita a cultura, a identidade e os modos de vida dos territórios.

Segundo a coordenadora do projeto, Gisleide Santos, o Semeando o Bem Viver apresenta resultados concretos já no primeiro ano de execução.


“O projeto promove o desenvolvimento econômico e social alinhado aos princípios da igualdade, da sustentabilidade e do bem viver. Em apenas um ano, conseguimos apresentar resultados que impactam diretamente a vida das famílias e das comunidades atendidas”, destaca.

Um dos diferenciais da iniciativa é a formação e valorização da equipe técnica local. Atualmente, 50% da equipe é composta por jovens mulheres das próprias comunidades, o que fortalece a liderança comunitária, promove inclusão, gera oportunidades de primeiro emprego e contribui para a permanência da juventude no campo. A formação continuada da equipe aborda temas estratégicos como leitura de mundo, Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), identidade e cultura, economia solidária, quintais produtivos, agroecologia e agrofloresta.

“Sou da comunidade de Olhos d’Água. Hoje, dou assistência como agente de desenvolvimento social. Eu atuo na comunidade de Olhos d’Água e Floresta. Quero falar sobre esse um ano de projeto, que teve um impacto muito positivo na minha comunidade. Ele vem despertando a união das famílias e a coletividade dessas pessoas. Os mutirões estão incentivando as pessoas a voltar à cultura de produzir seu próprio alimento, um alimento de qualidade. E, principalmente, o projeto impactou a minha vida, pois sou técnica agropecuária, mas não atuava na minha área. Hoje, estou atuando na área e levando conhecimento para essas famílias. Estou desenvolvendo um lado dessas famílias para que elas possam produzir alimentos de qualidade, alimentos sustentáveis, sem agredir o meio ambiente e, principalmente, colocar alimentos de qualidade na mesa de cada um. É muito gratificante. Então, o projeto só veio mesmo para fortalecer a agricultura familiar, fortalecer a união das associações e, principalmente, fortalecer as mulheres da comunidade”, ressaltou Aila Fernandes.

Na prática, o projeto já viabilizou a implantação de mais de 120 quintais produtivos agroecológicos, estruturados a partir da cooperação comunitária por meio de mutirões. Foram distribuídas mais de 5 mil mudas, incentivando práticas sustentáveis e a produção de alimentos saudáveis, livres de agrotóxicos.

Para a agricultora e quilombola Ana Soares dos Santos, moradora da comunidade de Chapada, em Araçás, o impacto do projeto é visível no cotidiano das famílias.


“Esse foi o ano mais produtivo da nossa associação, com mais conquistas. O projeto trouxe alegria, aumentou a renda e melhorou a alimentação das famílias. A gente planta, vende e tem uma renda extra. O MOC faz a diferença na nossa vida”, afirma.

Além da produção de alimentos, o projeto fortalece a geração de trabalho e renda, com apoio à comercialização do excedente da produção em mercados institucionais, como o PAI e o PNAE, ampliando o acesso das comunidades a políticas públicas e programas governamentais. O fortalecimento da gestão comunitária também é um eixo central, com apoio à regularização de documentação e ao aperfeiçoamento dos empreendimentos coletivos.

A agricultora Maria Madalena Santo de Jesus, da comunidade de Biriba, destaca o papel do projeto em um momento delicado de sua vida.


“O Semeando o Bem Viver chegou numa fase muito difícil. Eu tinha perdido o emprego e estava desanimada. Aqui aprendi técnicas novas, como a cobertura do solo, e hoje consigo produzir mais, com menos perdas. Tenho alimento saudável na mesa, sem veneno, e menos gastos. Foi um recomeço para mim”, relata.

Outro aspecto fundamental do projeto é o resgate das práticas comunitárias e dos saberes ancestrais, como os mutirões, que fortalecem os laços sociais e promovem a troca de conhecimentos entre as famílias. Na comunidade de Olhos d’Água, a agricultora Carla Fernandes destaca a transformação do território e das relações comunitárias.


“Há um ano, eu achava que essa terra era improdutiva. Hoje, com pequenas mudanças de hábito, conseguimos produzir feijão, coentro, alface, couve, quiabo e criar galinhas. É uma cadeia integrada que garante alimento de qualidade, renda e melhora nossa qualidade de vida, além de resgatar a comunhão entre a comunidade”, explica.

Para Gisleide Santos, o Semeando o Bem Viver demonstra que práticas comunitárias integradas e sustentáveis são capazes de transformar realidades de forma duradoura.

“O projeto fortalece a equidade de gênero e raça, promove relações mais justas e equilibradas e aponta um futuro promissor para as famílias e comunidades atendidas. É um exemplo concreto de que o desenvolvimento socioeconômico sustentável se constrói com participação, solidariedade e valorização das culturas locais”, conclui.