MOC realizou oficina sobre alimentação saudável  com elaboração de cardápio com PANC'S

MOC realizou oficina sobre alimentação saudável com elaboração de cardápio com PANC'S

17/10/2019

No dia em que se comemorou o dia Mundial da Alimentação, o Movimento de Organização Comunitária (MOC), que apoia, incentiva e contribui para que famílias e comunidades fortaleçam a segurança alimentar e nutricional, realizou entre os dias 16 e 17 de outubro, a oficina sobre alimentação saudável com elaboração de cardápio com panc’s (plantas alimentícias não convencionais), no centro de Formação Comunitária –Cfc, em Feira de Santana.

Na oficina estão presentes os representantes dos Empreendimentos Econômicos Solidários que trabalham com fornecimento de alimentação e estão inseridos nos Projeto Mais Gestão e Ecoforte e o público presente terá atividades lúdicas, reflexões sobre a importância das Panc’s e sua composição nutricional, com introdução ao cardápio com Panc’s, e haverá ainda aulas práticas .

Essa oficina tem o objetivo de estimular os/as agricultores/as familiares a resgatar o cultivo de Plantas Alimentícias não Convencionais – PANCs, de modo a contribuir para a preservação dos sistemas de produção de base ecológica, a garantia da soberania e segurança alimentar e nutricional e autonomia socioeconômica de suas famílias e comunidade.

Sara Geisa, técnica do Programa de Fortalecimento de Empreendimentos Econômicos Solidários do MOC, falou um pouco sobre a importância das PANC’S e de como sua composição nutricional é bastante saudável. “Para o MOC trabalhar as plantas alimentícias não convencionais, conhecidas como PANC’S, é importante porque valoriza a biodiversidade do nosso semiárido, é importante porque essas plantas tem tantos benefícios nutricionais quanto as convencionais, costumamos consumir na alimentação diária, principalmente a palma que está sendo bem explorada por ser uma planta riquíssima em água, 96% da composição dela é água, além das fibras, vitamina C, ferro e tudo isso tem valorizado a alimentação da agricultura familiar da região semiárida e valoriza também o trabalho do pequeno agricultor que tem a produção agroecológica sem usos de adubos químicos, trabalha na sua produção agroecológica que valoriza o solo, mantendo ele mais saudável e adequado para o consumo”, frisou a técnica.

Dona Maria Baia, uma das facilitadoras da oficina, adentrou no universo da cultura popular, agricultora, residente no Assentamento Rose de Santa Luz-BA e detentora de um modo de produção da culinária alternativa, que apresenta receitas com plantas não convencionais em seu livro. Ela aplicou seus conhecimentos para os participantes, e também apresentou seu livro intitulado como Cabeça de Frade Faz Doce- Dona Maria Baia”.Alguns pratos produzidos durante as aulas práticas com a facilitadora, Maria Baia, foram saladas com folhas de brego, língua de vaca, aranto e outras folhas; cortadinho de palma com galinha; canja de palma; sorvete de palma; tapioca com ovos caipira e palma.

Maria Baia conta um pouco da sua experiência com as plantas. “Essa experiência com as plantas foi um dom, nunca tive professores ou mestres e eu me sinto muito feliz e agradecida por isso. E essa oficina do MOC é muito importante, pois eu não venho só trazer, como também levar conhecimentos. ”, destacou Dona Maria Baia.

Essa oficina tem como intuito de fortalecer os Empreedimentos de Economia Solidária - EES por meio de inserção de novos cardápios e alternativa de alimentos saudáveis e frutos da nossa Caatinga.  Esse é um assunto que precisa ser bastante disseminado, porque para os agricultores, o cultivo e a vegetação espontânea dessas plantas pode significar diversificação da fonte de renda familiar, inclusive aproveitando áreas improdutivas. A opção de comercialização de plantas não convencionais, como a de outras partes das plantas cultivadas convencionalmente, pode gerar maior oferta de alimentos ao longo do ano e com novos produtos processados com PANC’s.

 

 O que pode ser considerado uma PANC?

 

São plantas que encontramos facilmente e que a maioria das pessoas não se dá conta da sua função alimentar. Muitas são consideras matos espontâneos, ou seja, plantas que crescem espontaneamente nos nossos quintais, nas plantações, nas  quais temos a mania de considerar daninhas e retirar sem qualquer utilização posterior. A importância das PANCs para promoção da saúde e educação nutricional, social, gastronômica e ambiental são enormes.  As PANCs (plantas alimentícias não convencionais) estão distribuídas em todos os biomas brasileiros, sendo algumas conhecidas e, outras tantas, desconhecidas dos brasileiros. Conceitualmente, as PANCs são espécies de plantas nativas, exóticas, espontâneas silvestres ou cultivadas, presentes em diversas regiões influenciando a cultura alimentar das populações tradicionais e regionais. As Plantas Alimentícias Não Convencionais, conhecidas como PANCs, têm atraído a atenção de agricultores e consumidores interessados em diversificar a produção e a alimentação com produtos orgânicos, mais nutritivos e saudáveis.


Texto e Fotos: Alan Suzarte

Comunicação MOC