Vinte mil pessoas ecoaram vozes às margens do Velho Chico por um Semiárido Vivo e a revitalização do Rio São Francisco

Vinte mil pessoas ecoaram vozes às margens do Velho Chico por um Semiárido Vivo e a revitalização do Rio São Francisco

18/11/2015

Sob a benção do “Velho Chico” e um sol de 40 graus à sombra, cerca de 20 mil pessoas, dentre trabalhadores/as rurais de 10 estados, pescadores/as, membros de comunidades indígenas e quilombolas, integrantes de movimentos sociais e de outras organizações, participaram neste dia 17 de novembro, nas cidades de Petrolina-PE e Juazeiro-BA, de ato público “Semiárido Vivo: Nenhum Direito a Menos”, uma luta e clamor em defesa da continuidade e ampliação das ações de Convivência com o Semiárido e pela urgência na revitalização do Rio São Francisco.

Representantes do Movimento de Organização Comunitária (MOC) estiveram presentes no ato que reivindicou a necessidade de recursos para a continuidade de políticas importantes para a convivência com a região semiárida que estão ameaçadas por conta da crise econômica e política. São ações descentralizadas como a implementação de cisternas de placas para captação de água da chuva para consumo humano e para produção de alimentos, Bolsa Família, acesso a créditos, Programa Nacional de Aquisição de Alimentos (PAA), o Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae), Seguro Safra e o Bolsa Estiagem. A diminuição destas e outras ações de convivência com o Semiárido, associadas a outros fatores como a possibilidade de mais três anos de seca, pode indicar a volta de uma realidade de miséria e fome que, por muitos anos, perdurou no Semiárido.

Atualmente, quase um milhão de famílias têm água de qualidade para beber ao lado de casa, através das cisternas de placas; cerca de 120 mil famílias podem produzir alimentos com água garantida através das diversas tecnologias sociais. Mas o número de tecnologias de captação de água de chuva ainda não é o suficiente para beneficiar todas as famílias que residem na região, sobretudo porque há cinco anos, a população enfrenta a maior seca dos últimos 50 anos. Atualmente, as metas para implementação dessas tecnologias são menores, se comparadas a alguns anos anteriores, e mesmo o contratado não consegue ser implementado, pois não há recursos nos Ministérios. O número de tecnologias de acesso à água construídas até agora é o menor dos últimos anos.

Naidison Baptista, coordenador da ASA e presidente do Conselho Estadual de Segurança Alimentar e Nutricional (CONSEA-BA), além de destacar a necessidade da continuidade de políticas para a convivência com o Semiárido, chamou a atenção para a tragédia que se abateu em Mariana, Minas Gerais, com o rompimento da barragem de lixo e dejetos e o desinteresse da mídia em noticiar a intensidade e a consequência socioambiental do fato. “Nós estamos juntos e faremos de tudo para que essas empresas sejam punidas e responsabilizadas e que as vidas daquelas pessoas sejam reconstruídas”.

Outro ponto destacado por Naidison faz referência à atual situação do Rio São Francisco “O Rio São Francisco tá morrendo não é porque falta chuva, não é por questão da natureza, não é questão de Deus. O Rio tá morrendo por conta do modelo econômico, por causa do modo como o agronegócio e o hidronegócio tomam para si a terra, tomam para si as águas e destroem tudo. O Rio tá morrendo inclusive porque seus afluentes estão morrendo. Nesse ato aqui o nosso compromisso para brigar pela revitalização do Rio, porque convivência com o Semiárido não pode existir com o Rio São Francisco morrendo ou morto”, ressaltou.

Numa realização da Articulação Semiárido Brasileiro (ASA), Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), Levante Popular da Juventude e Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), a manifestação reuniu pessoas vindas de todos os estados do Semiárido.

Segundo Sandra Santos, moradora de Juazeiro que acompanhou e participou de toda a mobilização, o ato é válido na luta da garantia pelos direitos. “Temos que lutar para que esses direitos sejam garantidos, direitos que lutamos tanto para conquistar. Temos que cobrar do Governo que preze pela vida do Rio São Francisco, que não deixe acontecer essa degradação e a morte lenta que vem acontecendo e tem feito de conta que é normal, um ato da natureza. O povo que tá aqui sabe bem que é um direito e é por isso que eu e todo mundo tá aqui hoje, para brigar por nossos direitos”, enfatizou.

E durante todo o ato, sob as bênçãos do Velho Chico, a correnteza humana clamava "Nenhum Direito a Menos!!".

Carta que defende um conjunto de medidas em defesa da continuidade e ampliação das ações de Convivência com o Semiárido:http://www.asabrasil.org.br/…/UserF…/File/Semiarido_Vivo.pdf



Por:
Maria José Esteves
Jornalista/Programa de Comunicação do MOC