Comunidade Bastião multiplicando saberes, fazeres e encantos no Semiárido

Comunidade Bastião multiplicando saberes, fazeres e encantos no Semiárido

01/08/2018

MOC_PoumSertaoJusto


“Eu sou feliz é na comunidade, na comunidade eu sou feliz”. Sim, as comunidades do Semiárido são recheadas de encantos, belezas e alegrias, fazendo desses combustíveis para superarem todos os desafios da vida, resistindo e persistindo no caminho da Convivência, isso tudo se encaixa nos fazeres e saberes da comunidade Bastião, localizada no município de Retirolândia, na região semiárida da Bahia, que é referência no trabalho coletivo, sendo ainda a prova de que essa união faz toda diferença no desenvolvimento local.

Nesse caminhar de muitas ações comunitárias, o Bastião se mobilizou em mais uma prática que vem para somar no bem estar comum, realizando assim a multiplicação de sementes de plantas nativas da região em mudas, essa ideia veio inicialmente do incentivo do projeto piloto da Cisterna Telhadão, que chegou na comunidade em maio de 2017, por meio do Movimento de Organização Comunitária (MOC) em parceria com Articulação Semiárido Brasileiro (ASA) e foi construída em um pedaço de terra doado pelo agricultor Evaldo Carneiro, deixando ainda um fomento para melhor uso e fortalecimento a ação da Cisterna.

A atividade que envolveu agricultores, agricultoras e a juventude da comunidade, aconteceu na última terça-feira (31) de julho, em um dia campo da Chamada Publica de ATER do MOC com apoio do Estado da Bahia, acompanhada pela técnica Tainá Lima (Programa de água, Produção de Alimentos e Agroecologia - PAPAA/MOC), com uma programação bem além do plantio das mudas, mas recheada de prosas, músicas, relatos de histórias (memórias), brincadeiras e muita partilhas de conhecimentos. E teve ainda momentos preparatórios dias antes, com a busca de adubos de curral e quixabeira para multiplicar as sementes.

Para Tainá Lima foram muitas emoções, forças de vontades e lutas de mais um trabalho em conjunto, com as diversas sementes que foram plantadas, que saíram do Banco de Sementes Comunitário, também existe na comunidade por um projeto do MOC com a ASA, além de mudas de umbu feitas por uma agricultora, a união levou à construção de uma cerca no espaço, dos canteiros econômicos e na divisão dos trabalhos e cuidados diário que precisarão ter para desenvolvimento dos plantios. 

“Foi um trabalho muito rico, muito bonito, nos intervalos a gente conseguia fazer alguns samba de roda, trazendo um pouco do resgate, saíram muitas falas de emocionantes, da comunidade está vivendo aquele momento. E eu enquanto técnica do MOC, me sentir muito realizada de ver que o município de Retirolândia tem um projeto referência. Fizemos uma proposta de cada agricultor/a plantar 10 mudas nas suas áreas e assim multiplicar em seus quintais produtivos, além de levar para a Feirinha Agroecológica. Então, eu sinto que ali vai ser um lugar de muita prosperidade, de muita visita, pois a agroecologia é vida! Disse Tainá também ressaltando a importância dos jovens estarem nesse processo, lembrando da sua própria história. 

“Ver a juventude envolvida nisso, é a minha raiz, sei que eu vim de frutos de uma comunidade como essa. Ali tem um imã positivo, uma energia muito boa, é justamente isso, que me faz continuar no movimento, que me faz ser técnica do MOC, por que estou fazendo o que eu acredito, o que eu gosto e minha missão no mundo é essa”, expressou a técnica.

"Põe a semente na terra, não será em vão. Não te  preocupe a colheita, plantas para o irmão".


Por: Robervânia Cunha - PCOM