No caminho da Educomunicação a graça das crianças e as garças na pista

No caminho da Educomunicação a graça das crianças e as garças na pista

06/08/2017

O sol ainda não havia abrilhantado o dia com seus raios e um restante da escuridão da noite ainda pairava sobre o céu quando saímos de Feira de Santana na última sexta-feira, 04 de agosto, rumo ao município de Quijingue para mais uma oficina de Educomunicação, atividade que integra as ações do projeto Parceiros por um Sertão Justo, desenvolvido pelo MOC em parceria com a Actionaid.

Aproximadamente 230 quilômetros nos separavam do destino e o percurso pela BR 116 nos distanciava cada vez mais da “Princesa do Sertão” que ficava para trás sob uma neblina ainda insistente. Os municípios de Santa Bárbara, Serrinha, Teofilândia, Araci e Tucano iam desfilando na paisagem repleta de milharais verdinhos resultante das últimas e raras chuvas na região.

Um pouco antes de dar início ao desafio dos últimos 35 quilômetros da pista em reforma, um bando de garças que se acomodavam em árvores para reprodução chamaram a nossa atenção e de quem por ali passava. Vencidos os últimos buracos da pista finalmente chegamos à sede local do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais onde 33 crianças e adolescentes nos aguardavam em frente ao prédio. Naquela altura da manhã o sol já começava a esquentar e já espantara a neblina.

As primeiras crianças se aproximaram desconfiadas e timidamente ofereceram ajuda para transportar o material que daria suporte às atividades da oficina. Uma escada íngreme nos separava do local e atentamente íamos desafiando cada degrau. A dinâmica de apresentação foi o quebra gelo e era visível a expectativa do grupo em torno do que ali aconteceria.

Educomunicando
Facilitar o entendimento daqueles olhinhos curiosos sobre o que é Educomunicação e fazê-los entender sua importância é o primeiro passo para se trabalhar em torno do tema. E foi assim no papel de mediadora de conhecimento que demos início ao diálogo com aqueles meninos e meninas com idades que variavam entre 07 e 17 anos.

Juntos construímos percursos educativos mais colaborativos e significativos. Vídeo, imagens e atividades práticas como identificar e fotografar meios de comunicação, elaboração de pauta e apresentação de um programa de rádio e TV – com os aparelhos confeccionados por eles com caixas de papelão - foram algumas das atividades que fizeram o tempo passar muito rapidinho.

Chega a hora do retorno e mais 230 quilômetros nos aguardavam. Na bagagem de volta a lembrança do sorriso de Igor, da curiosidade de João, da discrição de Wesley, das dúvidas de Iasmin, e da graça e do carinho de todos. Ouvir deles: “Foi massa, pró! Adorei!!”, significa missão cumprida.

Antes de encerrar mais um dia nessa caminhada do MOC não poderia deixar de parar para registrar de pertinho aquelas centenas de garças branquinhas em seus ninhos de gravetos abrigados sobre galhos de generosas árvores desse nosso Semiárido. Árvores à beira da pista que ali testemunhavam aquela prova da existência de Deus e daquele espetáculo da natureza que enchia de vida e “alumiava” esse nosso Sertão assim como os sorrisos daquelas crianças que retornaram para suas comunidades no campo.

Por:
Maria José Esteves
Programa de Comunicação do MOC