Retirolândia recebe com agroecologia a Caravana MOC 50 Anos

Retirolândia recebe com agroecologia a Caravana MOC 50 Anos

26/08/2017

#2017MOC50Anos
#PorumSertaoJusto

O verde das hortaliças, frutas e legumes fresquinhos e livres de agrotóxicos expostos em barracas no espaço onde acontecia a V Feira Agroecológica e Economia Solidária em Retirolândia inaugurava nesse 25 de agosto, a Feira Agroecológica permanente do município e dava as boas-vindas à Caravana MOC 50 anos que por ali passava em sua nona itinerância Semiárido afora.

Depois de uma manhã completa com oficinas, seminários e intercâmbio e percorrer as principais ruas de Retirolândia em carreata a Caravana MOC 50 Anos chega à Câmara de Vereadores local para a sua culminância. “Esta casa está aberta ao MOC” assim o vereador José Edinaldo declarou aberto o evento, segunda parte da Caravana que aconteceu à tarde.Vandalva iniciou agradecendo ao município pela receptividade. “Retirolândia é um município que tem agregado ao MOC uma história de construção, de luta nos seus 50 anos”. 

A apresentação cultural com samba de roda ficou a cargo do grupo Vida Feliz composto por mulheres da melhor idade do CRAS e do grupo Raízes da Terra formado por jovens e adolescentes da comunidade de Jitaí que ora está em busca do processo de reconhecimento enquanto Quilombola.As apresentações alegraram o ambiente para o início do talk show ou “conversa conversada” como apelidamos esse momento de escuta dos sujeitos que escrevem a história do MOC e de ouvir como essa instituição que agora completa 50 anos vem contribuindo com mudanças em suas vidas e com acesso aos seus direitos.

O MOC Sou Eu
"Não tive a mesma felicidade que essa juventude teve em estudar, mas tive de ser trabalhadora rural e a felicidade na descoberta de me ver gente como gente, de que eu era mulher, tudo isso através das discussões de gênero feitas pela nossa faculdade que é o MOC. Ele também nos assessorou na discussão de descoberta que precisávamos de documentos. Com eles devemos um avanço muito grande, nós trabalhadoras rurais que não fugimos da luta".

"Nos momentos mais críticos da minha vida lembrava de uma coisa: não tenha medo! Por isso quero dizer que nosso país tem jeito, não devemos desistir, não devemos ter medo. Se tem alguém que quer tirar de nós o nosso direito, não vamos abrir mão não"."Não tive a chance de estudar, mas não perdi a chance de aprender".

"O MOC não é só ser parceiro não, ele é pai nesse município e temos como registrar pela força e garra das pessoas antigas e pelas novas que estão por lá".
Carmelice Sena de Santana, moradora da comunidade de Jibóia e uma das primeiras mulheres a assumir a diretoria do movimento sindical na Bahia.

"Tem muito tempo já que o MOC me acompanha. Vi e sei que o MOC ajudou a criar associações e sindicatos onde não tinha. Agradecemos aos técnicos que nos ensina muito e aos agricultores que sempre acreditou e acreditam no MOC".
Maria José (tia Zete), agricultora familiar da comunidade de Bastião, Retirolândia(BA).

“Sou professor no município e um dos fundadores do CAT também. Quero elogiar essa vida dos 50 anos de atuação do MOC no território e fora dele. Quantas reuniões em Brasília e fora do país Naidison participou para fazer acontecer? É o testemunho dado, vivo e firme de que a simplicidade faz as coisas acontecer. O MOC através do povo diretivo, do seu povo nos Conselhos, nos Sindicatos tem feito a diferença nos nossos municípios”.
Genival Ferreira (Titi da Gibóia), Sindicato dos Servidores Públicos de Retirolândia e professor do Projeto CAT.

"Tenho 36 anos de luta e logo no início o MOC veio com vários projetos".

"É um parceiro, pai dos movimentos sociais que defende direitos, esses que a gente vem perdendo".

"O MOC sempre lutou por direitos Hoje conseguimos lutar por direitos o que antes não podíamos. O MOC é esse que orienta".

"A gente vê a juventude levada para o MOC e que tá aí mostrando que o MOC não para"
João Nilton Ferreira (Pité), coordenador da Fundação de Apoio à Agricultura Familiar do Semiárido da Bahia (FATRES), ali representando todos os movimentos sociais do município.

"O MOC contribuiu para nossa comunidade com a rádio poste que ajuda muitos jovens que não tem o que fazer e agora fazem programa de rádio. O MOC ajuda a crescer e a interagir".
Alex Santos, jovem da comunidade de Jitaí, localizada no município de Retirolândia.

"Estou bastante emocionada e não podia ser diferente. Minha vida foi dedicada ao MOC ou o MOC a mim. Durante toda minha vida no MOC, e sempre no MOC fui parceira do poder público eu queria saber se de fato era tão difícil se concretizar as políticas nos municípios".

"Hoje na Secretaria de Assistência Social tenho tentado fazer com que as pessoas não aceitem assistencialismo e sim busquem seus direitos. Tudo o que aprendi nesse escola MOC estou tendo oportunidade de praticar".

"O Projeto CAT é comprovadamente a melhor metodologia de educação do campo e Retiro tem que abraçar isso. Se já deu certo antes, já aconteceu, por que não pode acontecer novamente?".
Nayara Cunha, ex técnica do MOC e atual Secretaria de Assistência Social de Retirolândia.

"Em nome dos professores e professoras do campo quero parabenizar o MOC e a UEFS pela implantação no município do Projeto CAT que só veio contribuir na educação das crianças. As sementes foram lançadas".

"Não vejo vocês como parceiros, vejo o MOC como amigo".

"Cada um de nós estamos movidos pela gratidão e alegria e dizer que sou professora do campo com muito orgulho e entendemos que somos capazes de formar sujeitos capazes e críticos e não precisamos sair do campo para isso".
Celeste Santos Souza, educadora do campo da comunidade de Alecrim, Retirolândia.

"O MOC tem me acompanhado desde muito cedo, desde minha primeira troca de dentes. O projeto CAT e Baú de Leitura foi minha porta de entrada para o MOC. Depois fui jovem comunicador do projeto trabalhando com a Rádio Poste na minha comunidade de Lagoa Grande e hoje estou na faculdade de comunicação e perto de concluir. Só agradecer a força que o MOC me proporcionou nessa caminhada".
Breno Santiago, atual presidente da COOPERCOM - Cooperativa de Consultoria, Assessoria, Pesquisa e Prestação de Serviços em Comunicação do Semiárido.

"Antes do MOC chegar a Jitaí a gente entrava nos lugares de cabeça baixa, agora entramos de cabeça erguida. O MOC que nos ensinou".

"Faço parte de grupo de produção e o MOC nos ajuda a falar dos nossos produtos país afora e contribuir com o fortalecimento dos grupos".
Ironildes, da comunidade de Jitaí, representando os Empreendimentos Econômicos Solidários do município. 

Homenagens
“A caminhada do MOC não é só do MOC. É tecida por crianças e adolescentes, agricultores e agricultoras familiares, profissionais da educação, homens e mulheres do campo. Para encerrar quero lembrar de Terezinha como a mulher que eu quero ser quando eu crescer”, ressaltou Vandalva Oliveira ao citar Terezinha Santos Silva, grande líder local defensora das causas que envolvem a agricultura familiar, educação contextualizada e, principalmente a luta contra a violência à mulheres.

Com a ausência da mesma por motivo de saúde, Sr. Jonas e sua filha Jailene receberam do MOC uma placa com o reconhecimento pela vida de dedicação de Terezinha à luta pelos direitos. “Queremos deixar como mensagem por onde passar a Caravana que a história do MOC é tecida por vocês e com vocês. Onde quer que estejamos é possível fazer esse Sertão mais Justo”, disse Vandalva.

À noite uma Sessão Solene na Câmara Municipal de Vereadores em homenagem ao MOC, de iniciativa do vereador José Edinaldo, encerrou com muita emoção a passagem da Caravana no município de Retirolândia.


Por:
Texto: Maria José Esteves
Foto: Kivia Carneiro
Programa de Comunicação do MOC