Oficina do Projeto Parceiros/as Por um Sertão Justo fortaleceu ações do Programa Local de Direitos (PLD) desenvolvido pelo MOC com Actionaid

Oficina do Projeto Parceiros/as Por um Sertão Justo fortaleceu ações do Programa Local de Direitos (PLD) desenvolvido pelo MOC com Actionaid

22/08/2018

MOC_PorumSertaoJusto

“Nós podemos tudo, nós podemos mais. Vamos lá fazer o que será”. Foi com muita leveza, partilhas de conhecimentos e o acreditar que as sementes de hoje resultam nos bons frutos do amanhã, que se realizou durante os dias 20 e 21 de agosto, em Feira de Santana, uma Oficina de Linha de Base e de estratégias garantidoras dos direitos do Programa Local de Direitos (PLD), que faz parte do Projeto Parceiros/as Por Um Sertão Justo, desenvolvido pelo Movimento de Organização Comunitária (MOC) em parceria com a Actionaid, que comungam das lutas e labutas em defesa dos direitos humanos.

A oficina foi conduzida por Sergio Costa (Actionaid), contando com a participação de membros das áreas programática do MOC, sendo elas Programa Água, Produção de Alimentos e Agroecologia (PAPAA), Programa de Fortalecimento de Empreendimentos Econômicos Solidários (PFEES), Programa de Educação do Campo Contextualizada (PECONTE), Programa de Comunicação (PCOM) e Programa de Gênero (PGEN) que fomentam junto a Actionaid ações de Direito à Educação, Direito da Mulher e Direito a Produção e Comercialização da Agricultura Familiar, na linha de base e de estratégias do PLD, que visa contribuir na garantia de direitos efetivos para sujeitos, levando protagonismo, autonomia e liberdade na perspectiva de conviver e viver em um lugar justo e democrático.

A atividade trabalhou em seu primeiro momento, sobre a caminhada da missão da Actionaid no processo de corroborar com as mudanças de vidas dos sujeitos. “A ideia geral dessa teoria de mudança da Actionaid é alcançar justiça social, a igualdade de gênero e a erradicação da pobreza através de ações individuais e coletivas que são direcionadas para mudar o poder desigual e injusto seja ele oculto, invisível ou invisível” explicou Sergio Costa completando ainda sobre os domínios para as mudanças necessárias nesse campo do poder como, aumentar o poder das pessoas, criar ambiente favorável, maior acesso aos direitos, serviços e recursos, entre outras ações que  são impactante nesse contexto.

Diante disso, teve uma forte reflexão sobre o empoderamento do sujeito, sobretudo da mulher na busca pela desigualdade de gênero, nos diversos campos de sua vida, seja econômico, social, familiar ou individual. “O termo empoderamento tá relacionado a poder, mais é um poder que emana do sujeito, mesmo que o MOC e Actionaid realize diversa formações sobre esse processo de empoderamento, se a pessoa não exercitar o poder com a força que ela tem de incidir, de agir, de tomar decisões, não vai adiantar (...). Esse é um processo que precisa decorrer de dentro para fora das pessoas, que age no mundo para gerar mudanças, e essas mudanças são para a vida individual, mas também para o coletivo”, frisou Vandalva Oliveira (Coordenadora Pedagógica do MOC).

Outro ponto destacando foi a respeito do contexto atual no Brasil, questionando ainda o que isso tem a ver com as eleições 2018? Qual o papel de cada um/uma nesse cenário de conjuntura politica? Isso instigou e provocou uma analise nas estratégias para o enfrentamento dos processos injustos e antidemocráticos, de avanços dos fascismos, dos fundamentalismos e das desigualdades sociais, que roubam direitos conquistados pelo povo, com muitas lutas. No entanto, para esse enfrentar de desafios é preciso fortalecer a resiliência política, ou seja, fortalecimento político das organizações sociais, movimentos sindicatos, redes, grupos de mulheres, espaços nos quias o povo constituir.

A insistência e resistência de permanecer no campo da defesa de um projeto político, e para que isso de fato se concretize é preciso formar e conscientizar o povo, no miudinho, no passo a passo, no boca a boca, quem são os inimigos do povo, quais os políticos são inimigos na retirada de direitos e quais os/as que realmente abraçam a defesa e interesses dos direitos humanos do povo, pois representam essa nação.

Envolvendo ainda as desigualdades, os preconceitos e as injustiças que historicamente caminham nesse país, essa Oficina abordou sobre a Diversidade Racial, como a população negra se encontra nessa sociedade de exclusão. Selma Gloria (Coordenadora de Gênero do MOC) contribuiu com essa reflexão, se debruçando sobre o racismo no Brasil que acontece de forma estruturante das relações sociais, econômicas, politicas culturais e outros. E como aponta os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) os números aumentaram, vergonhosamente, de feminicídio contra mulheres negras, violência com jovens negros, sem contar a desigualdade salarial e de oportunidades, baixa representatividade nos espaços, inclusive nos cinemas e na literatura.

Em um país, que vive as sobras de mais ódio, exclusão e ataque aos movimentos sociais, às mulheres, aos negros, assim como à população LGBTI+, torna-se extremamente necessárias as formações que levam mais compreensão, informação e respeito a identidade de gênero requerido por cada pessoas LGBTI+ que significa lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais, intersexuais e outras identidades de gênero e sexualidade não contempladas na atual sigla adotada, representadas pelo “+”.
 
Depois de amplas discussões, reflexões, debates em volta do desejo de uma sociedade mais justa, a Oficina adentrou sobre a analise, avaliação e monitoramento do Programa Local de Direitos (PLD) que busca justamente no resultado de ações concretas colaborar nas mudanças de vidas de crianças e adolescentes, das mulheres, agricultores/as e produtores familiares, tendo ainda uma nova deixa no PLD para se pensar em incluir de forma mais intensa ações para a juventude rural. “Então, como o MOC que fomenta esse processo de cooperação entre os sujeitos pode elaborar estratégias para trabalhar com os/as jovens e buscando essas definições de ações a partir das vozes da própria juventude”, provocou Sergio Costa.

Vale ressaltar, que a base desse trabalho envolvem direitos nas linhas citadas e são seguida a partir das orientações da Organização das Nações Unidas (ONU), que explanou sobre os dezessete (17) Direitos Humanos, necessários para uma vida digna e justa no mundo.

Assim, reunidos/as por equipe de programas do MOC, que desenvolvem as ações voltadas para cada direito, com o foco não apenas no individual, mas principalmente no comunitário, no sentindo do crescimento e desenvolvimento local, que foram analisadas as estratégias de ações criadas, no último encontro em janeiro do ano corrente, dentro de empoderamento, campanhas e alternativas para serem inseridas no que se esperam de resultados no campo de efetivação de direitos, resiliência política e incidência (redistribuição), incluindo algumas ações no campo do poder coletivo.

“Então é isso, a gente sempre sai desses momentos com uma carga tanto de aprendizados como de compromissos”. Foi bom! Cansa, mais a gente dialoga, a gente conversa e sai com mais propriedade sobre o Projeto Parceiros/as por Um Sertão Justo”. “Um momento de retomar, ampliar e aprofundar nossas responsabilidades e compromissos tanto no momento politico que vivemos, como também de contribuir para provocar as mudanças do sujeitos no individual e no coletivo”. “Trouxe um despertar desse olhar que a gente precisa ter não só da questão social, como humana mesmo”. Expressões de avaliação do que significou os dois dias de trocas de conhecimentos e muitos aprendizados, somando no profissional e pessoal de cada participante.




Por: Robervânia Cunha
Programa de Comunicação do MOC - PCOM